Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.


Capítulo 16
Tabuleiro sangrento
Ao comando de seu chefe, quatro mercenários desceram das selas. O som metálico das lâminas sendo desembainhadas ecoou pela estrada deserta como um presságio fúnebre, cortando o nevoeiro da manhã.
Eles sorriam, provocavam e lançavam xingamentos de baixo calão, uma tática barata para tentar desestabilizar o adversário solitário.
Enquanto isso, o quinto homem permanecia montado, calmamente municiando sua balestra com dois virotes; manteria o dedo no gatilho à espera do momento certo para disparar, caso a luta de espadas se alongasse e ele precisasse intervir para selar o destino do estrangeiro.
Ed passou as rédeas para as mãos trêmulas da apreensiva Livy, e para acalmá-la, deu uma piscadela confiante para ela, recebendo de volta um sussurro que o parou no tempo:
— Tome cuidado amor.
Amor... aquelas quatro letras atingiram o núcleo do viajante com uma força avassaladora. O som daquelas palavras deu ao Ed um ânimo muito maior e mais intenso do que qualquer injeção de adrenalina sintética faria em suas veias.
Ele não estava mais apenas cumprindo uma missão de rotina ou protegendo um ativo histórico; ele estava agora, sem ainda conceber, defendendo o seu próprio coração.
Ele saltou pesadamente para a grama úmida da margem da estrada. As espadas cruzadas em suas costas crepitaram com o som seco da morte que espreita. Em um movimento fluido e coreografado, ele retirou a terceira lâmina, a da bainha da cintura, e cravou sua ponta no solo lodoso, deixando-a como uma cruz improvisada.
Ajoelhou-se brevemente sobre a perna esquerda, tocou a testa no alto do cabo de metal frio, sem jamais desviar os olhos dos inimigos, e proferiu uma oração silenciosa e rápida — um ritual de perdão e súplica. Não pedia por sua própria vida, mas pelas almas imundas que ele estava prestes a despachar para o inferno.
Levantou-se devagar, assumindo uma postura de defesa absoluta que exalava uma geometria letal. Com as pernas afastadas e levemente arqueadas para garantir o equilíbrio, segurava a longa espada na mão direita, com a lâmina apoiada no cotovelo do braço esquerdo, que estava dobrado em direção ao peito.
Ele sabia que a prioridade máxima daqueles vermes era matá-lo; a violação da garota viria depois. Ed era o único obstáculo, uma barreira de carne e aço a ser varrida do caminho.
Enquanto o cercavam, os mercenários riam, lançando maldições e obscenidades sobre o que fariam com Livy após sua queda. Mal sabiam que estavam diante da morte personificada, do vazio absoluto que precede o limbo.
Quando o primeiro adversário partiu para cima com um grito gutural, erguendo a espada sobre a própria cabeça como se fosse golpear um tronco inerte — um erro amador que nem contra javalis se comete —, isso apenas confirmou sua suspeita: aqueles homens eram exímios em intimidar camponeses, mas patéticos diante de um guerreiro forjado em conflitos interdimensionais.
Ed era o frio absoluto, um estrategista que via o campo de batalha como um tabuleiro de xadrez sangrento. Ele anteciparia cada jogada, derrubando as peças, uma a uma.
Em um arranque explosivo, ele avançou e girou sobre os calcanhares. Sua túnica acompanhou o deslocamento, criando um rastro escuro que conferia uma beleza letal à manobra.
A lâmina perfez um círculo completo no ar, cortando a resistência do vento e trespassando o abdômen desse primeiro oponente com tamanha força que projetou sangue e vísceras sobre o mercenário mais próximo à sua direita.
Aproveitando o impulso ininterrupto do giro, ele não parou; a espada descreveu um arco perfeito e perfurou o coração desse segundo homem, antes mesmo que o cérebro dele processasse o sabor do sangue espirrado em seu rosto.
Livy soltou um grito de alerta ao ver o terceiro se aproximar por trás, o mesmo movimento de quem vai cortar um galho que impede a passagem, mas Ed já havia calculado o fluxo do combate. A previsibilidade tática daqueles homens era sua maior fraqueza.
Ele arrancou a lâmina do peito do quase cadáver a tempo de bloquear, em um movimento cego às suas costas, o golpe covarde do terceiro oponente. Segurando o impacto com a espada voltada para trás, ele girou o tronco subitamente e desferiu um chute brutal na lateral do joelho esquerdo do agressor.
O osso do menisco se partiu com um estalo seco e pavoroso. O mercenário desabou gritando, mas seu lamento foi interrompido no instante em que sua cabeça se desprendeu do corpo em um golpe de misericórdia preciso.
Ed caiu de joelhos na frente do corpo decapitado que tombava lentamente para o lado, não por ter sido atingido, mas por estratégia: sua mão mergulhou no coldre da bota, sacando a adaga oculta que arremessou com precisão cirúrgica na garganta do balesteiro.
O homem, ainda sobre o cavalo, tentava desesperadamente, agora, mirar e estabilizar a arma para disparar dois virotes simultâneos, mas a lâmina de Ed encontrou seu alvo primeiro, selando sua traqueia antes que o dedo pudesse puxar o gatilho.
Naquele cenário de carnificina, a brutalidade de Ed não era fruto de maldade, mas de uma necessidade sagrada. Cada golpe desferido, cada osso partido e cada vida ceifada eram tributos pagos para garantir que a honra de Livy não fosse violada por seres tão vis. Para Ed, a letalidade não era uma escolha, era a única linguagem que aqueles seres irracionais entendiam.
Ele agia como o ceifador necessário, limpando a estrada de tamanha podridão para que a pureza da mulher que ele protegia pudesse seguir sendo dela para dar a alguém merecedor ou guardar consigo, afastada das mãos imundas do destino.
O tabuleiro estava sendo limpo, restavam duas peças adversárias, o rei e um peão... A rainha estava protegida em sua torre e o preço do “xeque-mate” era escrito em vermelho sobre a grama verde da estrada de Rochdale para Manchester.
Qual o tempo necessário para desmoronar uma montanha de arrogância?
Uma pergunta retórica respondida no segundo seguinte ao impacto abrupto da adaga no pescoço do arqueiro. O choque fez seu braço girar violentamente e, movido pelo reflexo súbito da dor excruciante na garganta que lhe roubou o fôlego e a vida, seu dedo apertou involuntariamente o gatilho da balestra.
Ambos os dardos de ferro dispararam com um estalo seco, alojando-se profundamente no ventre volumoso do atônito valentão que, segundos antes, bradava ordens em puro desespero.
Enquanto o balesteiro e o comerciante despencavam pesada e simultaneamente de seus cavalos — o gordo caiu sobre os virotes, entrando até o talo —, Ed virou sua atenção para o último mercenário.
O homem, com uma astúcia movida pelo puro instinto de preservação e um medo que lhe gelava a espinha, jogou ao chão sua espada imediatamente, rendendo-se. Ele percebeu que não tinha a mínima chance contra um guerreiro tão ágil, preparado e letal.
Com a ordem de se retirar e o ultimato de contar a verdade ao senhor da lei — ou seria caçado até o inferno por Ed —, o peão montou em seu cavalo e fugiu em um galope desenfreado de volta ao vilarejo, como se a própria morte estivesse em seu encalço.
... Continua...
imagem by: Pinterest.com
ARMADILHA DO TEMPO
Volume Um


O universo Shadow é um mergulho literário que vai além do inimaginável. Boa leitura!
Clique no link abaixo para CONTINUAR LENDO...
Navegue
Explore em breve nossas redes sociais
Contact
FALE COM A GENTE
suporte@sphinx-hub.com
© 2026. All rights reserved.
