A INTELIGÊNCIA AMANTE: ONDE O PASSADO ENCONTRA O FUTURO

Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.

Capítulo 15

A emboscada

Ed deixou a propina como último recurso antes do uso de violência, caso todas as tentativas diplomáticas falhassem.

Ele jogou uma nova cartada, usando a lógica do próprio sistema contra o oficial:

— Até posso considerar seu argumento — falou, seu olhar gélido.

— A bolsa prova o furto, é verdade, mas... e esse homem ao seu lado... ele também não vai ser responsabilizado por seus atos?

— Do que está falando?

Indagou o homem da lei, sem nada entender. Ed logo esclareceu:

— Acuso esse homem de common assault… Lá na taverna ele violou o outraging public decency quando tentava forçar, na frente de todos, manter conjunção carnal com esta jovem, a beijava e a segurava com lascívia contra sua vontade! Sou testemunha ocular idônea.

O gordo exasperou-se, tentando fazê-lo calar-se, mas Ed seguiu com as acusações:

— Ele também não deveria ser punido por isso? Se ele tem coragem para acusar alguém de crime, tem peito para enfrentar o pillory pelo seu ato de Lewdness?

— Ele mente, senhor juiz!

Gritava o comerciante, tentando manter a máscara de bom samaritano. Ed percebeu que adotou a estratégia correta e seguiu na sua tese:

— Ela foi atacada, his lordship, teve uma oportunidade e fugiu, levando a bolsa de moedas como prêmio pelo abuso! Sugiro resolvermos aqui e agora! Mas se não houver acordo e um crime não exonerar o outro, ambos devem ir a julgamento público! Assim haverá justiça!

Ed sabia que o comerciante não desejaria que isso chegasse ao conhecimento público geral. Seu negócio próspero seria abalado com esse escândalo.

— Faça ele se calar!!! Sou um homem honrado e respeitador, tenho família, pago meus impostos à Coroa, tenho um nome a zelar! Não aceito essa calúnia... Prenda esse mentiroso também, senhor juiz!

— Você não me dá ordens!

Finalmente o juiz explodiu em fúria contra o comerciante inescrupuloso, cuja fama de desonestidade e grosseria era bem conhecida no meio legal. O comerciante se beneficiava de ser abastado, pagava propinas aos oficiais e contribuía generosamente com a paróquia anglicana local, tentando apagar seus pecados diante de Deus e aliviar sua consciência, comprando falsa respeitabilidade pública.

— Junte sua bolsa da lama e considere-se feliz! Todos nos guetos sabem dos abusos que comete contra os seus. Seu nome é mais sujo que as patas de seu cavalo... Suma daqui com seus capangas!— e seguiu com seu monólogo.

— A jovem está indo embora; é menos uma ladra nas ruas. Meu trabalho encerra aqui. Deixe-a em paz, qualquer atitude a partir de agora é de sua inteira responsabilidade!

Dirigindo sua atenção ao cavaleiro com um aceno aborrecido sutil, mostrando seu desagravo:

— Forasteiro, Leve-a embora e nunca mais a traga aqui, pelo bem dela... Vão!!!

Ed nem pensou duas vezes.

— Obrigado honored sir. É uma pessoa sensata! Vamos Livy, temos uma longa estrada pela frente…

Partiram rápido dali, sob os protestos do gordo e o olhar chateado do oficial, desaparecendo na penumbra do quase amanhecer.

— Isso não ficará assim!!!… Ouviu, forasteiro?!

Eram os gritos ao vento de um fanfarrão que espumava de raiva, enquanto um de seus capangas lhe devolvia a bolsa de moedas, encharcada e suja.

Ed, virando-se para sua parceira, sentenciou:

— Vamos manter esse trote, nos afastar o mais longe possível. Isso ainda não acabou…

— Acha que aquele homem asqueroso vai voltar? — Livy estava receosa.

— Ah! Claro que vai! É um homem orgulhoso e arrogante. Para ele foi muita humilhação e vai querer fazer justiça com as próprias mãos.

O dia raiou havia duas horas e o casal mantinha os cavalos em um trote contínuo, até ouvirem o barulho de cascos a galope logo atrás. Era o homem pançudo e mais cinco cavaleiros — dois eram capangas pessoais dele e três foram contratados às pressas, mercenários de uma gangue perigosa, armados com espadas longas, e um deles tinha uma balestra letal. Ed orientou Livy a ficar tranquila:

— Não se preocupe, eles querem você como prêmio e nada lhe farão antes de me eliminar, mas isso não vai acontecer!

Pararam e aguardaram. Ela novamente ficou atrás dele. A sensação de proteção que Ed transmitia era algo que ela jamais sentiu na vida.

— Parem aí mesmo, se têm amor às suas vidas!

Ele gritou, voz áspera como rocha ígnea, o tom tinha um peso metálico que parecia cortar o ar. Sua mão fechada no punho da espada.

— Voltem agora!!! A estrada termina aqui para vocês, só encontrarão morte e desespero se seguirem nesse caminho!

O gordo não se intimidou, ancorado nos homens que contratou a peso de ouro para lavar sua falsa honra.

— Você é apenas um contra meus cinco lâminas bem treinados na arte de matar sem piedade. Será muito divertido ver sua carne virar comida de lobos famintos.

Zombou o pançudo, a voz saindo como um sibilo entre os dentes amarelados. Seus olhos pequenos, incrustados em dobras de gordura, brilharam com uma luxúria doentia ao fitarem Livy.

— E quanto a você 'ladrona' atrevida, vou me deliciar entrando no couro macio entre suas pernas.

Ele continuou vociferando de forma lasciva, balançando o corpo sobre a sela, se vangloriando para seus homens, enquanto cantava uma vitória antecipada que parecia certa em sua mente deturpada:

— Vejam que beldade, homens!!! Estou de olho nessa delícia já faz tempos, e agora que ela está limpa e bem trajada, vejo que é muito bonita, vai valer cada moeda gasta em sua captura e vou me esbaldar antes de estrangulá-la com minhas próprias mãos ainda enquanto a possuo.

Um dos mercenários, com um sorriso cínico que revelava a falta de alguns dentes, o questionou se ela não seria um prêmio melhor mantendo-a viva para a diversão de todo o grupo. O comerciante respondeu, convencido de sua onipotência:

— Bem pensado! Será um desperdício mesmo… Quem sabe eu fique com ela como minha escrava meretriz, mas… melhor não! Deixar ela viva pode me causar problemas.

Então como um juiz proferindo uma sentença:

— Faremos assim: Após me saciar nela, decidirei seu destino, mas deixarei que vocês todos entrem nela também. Isso será um prêmio extra pela morte desse forasteiro intrometido.

E finalizou com uma arrogância gélida:

— Está decidido! Cuidem para ela não sobreviver aos carinhos de vocês cinco, o que sobrar dela será banquete para as aves carniceiras. Agora chega de conversa, peguem ele e me tragam sua cabeça!

... Continua...

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ARMADILHA DO TEMPO

Volume Um

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