A INTELIGÊNCIA AMANTE: ONDE O PASSADO ENCONTRA O FUTURO

Esta história tem roteiro original e foi escrita para os nichos literários Hard Sci-Fi (Ficção Científica fundamentada), Romance Histórico/Épico e Romantasy (Romances maduros de fantasia/ficção). Nela há descrições de violência e conotação sexual. Não contém cenas explícitas, mas é recomendável para público adulto.

Capítulo 12

O lacre rompido

Sob o crescente uivar dos canídios, ela ergueu seus olhos que encontraram os dele.

— Pronto! Estás livre dos piolhos. Agora posso te agarrar sem medo de que algum deles migre pra a minha cabeça…

Ed não perdeu tempo. Aproveitando que Livy estava de joelhos diante dele, despiu-se rapidamente e a guiou na carícia com o instrumento que batia firme em suas bochechas rosadas.

O ambiente aqueceu pela adrenalina, tornando o momento em uma celebração de agradecimento pela vida. Percebendo que a falta de experiência a deixava passiva, o agente logo transformou o ato em pura reciprocidade — uma aula prática que a fez se contorcer em delírios inéditos.

Ao deitá-la no feno, o corpo da jovem respondeu com vigor, levando-a ao clímax em um suspiro contido e ofegante.

Seus mamilos endurecidos eram comprimidos por suas próprias mãos delicadas; a cabeça arqueada para trás, a coluna em um arco de puro êxtase e as pernas envolvendo o corpo do comandante CEAL com força em um abraço carnal, como se quisessem aprisioná-lo ali para sempre.

O selo físico continuava intacto, mas a alma já havia sido despertada para a descoberta do prazer. Vendo-a satisfeita, Ed sorriu e, sem deixar a energia esfriar, posicionou-se para a consumação do ato final.

— Agora vem cá, sua danadinha... Vamos transformar você em mulher de verdade!

Naquele segundo de transição, enquanto o peso dele se acomodava entre suas pernas abertas, o mundo de Livy parou de girar.

Ela não sentia mais frio, o estábulo desapareceu como por encanto e nem ouvia a chuva que insistia em cair barulhenta lá fora; havia ali apenas os olhos famintos do homem que havia transformado sua pena de morte em uma extensão de vida nova. O medo do rompimento era apenas uma sombra pálida diante da urgência de pertencer a ele.

Livy sentia que aquele lacre era apenas o último véu que a prendia à sua existência miserável nas ruas. Ao ser possuída por Ed, ela deixaria de ser a órfã invisível das ruas para se tornar a eleita — mesmo que fosse em um momento mágico e único — de um viajante temporal.

Ela fechou os olhos e abraçou o destino, pronta para trocar a dor da lâmina que a mataria pelo latejar doce e transformador daquele momento, sabendo que, a partir dali, seu sangue não seria mais um desperdício, mas um pacto selado com o homem que dobrou o tempo por ela, oferecendo esperança ao que o futuro ainda ousasse reservar.

O silêncio no estábulo tornou-se denso, carregado pelo perfume do feno seco e pelo calor da lareira que morria lentamente em brasas.

Ed colou sua boca na dela; era a primeira vez que Livy experimentava tal sensação. O contato trouxe um calafrio que percorreu sua espinha e, simultaneamente, um calor intenso, como se um vulcão em ebulição estivesse prestes a romper a montanha de gelo que era sua mente antes de conhecê-lo.

Ela o enlaçou com as pernas, prendendo-se em sua cintura. Ed girou, levando-a para cima de si, transformando-se em seu cavalo, ambos prontos para iniciarem uma cavalgada ritmada.

Livy sentia o peito de Ed subir e descer — uma cadência que agora ditava o ritmo de seu próprio sangue. Era uma donzela buscando a mulher que habitava em si, mas naquele instante, diante do viajante, ela era pura entrega; estava pronta para ser redefinida, reprogramada e possuída, escrava e senhora de seu novo e definitivo dono.

Ed sabia a preciosidade que tinha nas mãos; sentia nos dedos a reverência de quem toca uma relíquia. A marca que ele estava prestes a imprimir nela não seria apenas física.

Ao misturar seu DNA ao dela, Ed implantaria uma assinatura de alma, um mapa que a guiaria — ou a assombraria — por toda a eternidade.

— Você tem certeza de que quer mesmo isso?

A voz dele, separada por milímetros da boca dela, era um sussurro que vibrava em seus ossos.

Livy não respondeu com palavras. Moveu o corpo de pele alva, que nunca conhecera o calor de outro ser, um pouco mais para baixo.

Quando o toque finalmente aconteceu, ela sentiu como se o universo inteiro estivesse se afunilando para aquele único ponto de contato. No momento da invasão, não houve apenas a ruptura de um lacre físico.

Para Livy, foi como se um bloqueio maciço em sua consciência fosse derrubado. A sensação de ser preenchida, de ser invadida em suas próprias percepções, abriu um mundo novo.

Foi o choque entre o gelo de sua vida invisível e o fogo da presença de Ed. Ela sentiu cada fibra de sua natureza ser reestruturada, reconhecida e, finalmente, reivindicada.

É como se eu estivesse sendo reescrita, pensou ela, enquanto tentava controlar a frequência daquela invasão, sem conseguir conter as lágrimas de um prazer desconhecido que teimavam em escorrer. Ser amada carnalmente pela primeira vez não era apenas sobre o corpo; era sobre a perda do eu abrindo espaço para a criação do nós.

A dor inicial foi breve, logo substituída por uma onda de calor que parecia vir do centro da terra — uma eletricidade que percorria sua coluna e explodia em cores vibrantes atrás de suas pálpebras cerradas.

Ed, ao percebê-la confortável, tomou as rédeas da ação, conduzindo-a com a maestria de quem conhece os segredos do tempo e a ternura de quem protege um cristal raro.

Ele não era um homem comum; possuía a chave de acesso ao seu portal mais íntimo. E Livy, ao entregar seu único tesouro, descobriu que o ouro não estava naquilo que perdia, mas na imensidão que ganhava ao ser, finalmente, unida a ele.

A marca estava feita. Grudada na mente, na alma e na memória das células, reestruturando seu próprio código genético, que agora acolhia seu conquistador.

Ali, no chão de um estábulo esquecido, morreu a donzela para que uma mulher, plena e consciente de sua própria luminescência, pudesse nascer sob o olhar do seu protetor.

Ao fechar seus olhos e deixar a cabeça pender sobre o colchão improvisado, Livy percebeu que, ao sentar em seu colo na frente da taberna, o balanço do cavalo fora apenas um prelúdio do inevitável; agora, o ritmo era dele.

Ela sentia a espada que antes apenas a cutucava reivindicar seu espaço — não mais como uma inconveniência, mas como uma promessa consumada.

Ser preenchida não foi apenas um ato carnal; foi como se estivessem dobrando o tecido metafísico do tempo, arrancando-a do lodo de 1798 e a redirecionando em uma nova trajetória.

A dor física momentânea perdeu-se no êxtase de finalmente pertencer a algo maior que a própria existência.

Livy se agarrou aos ombros dele, sentindo os músculos do homem que a escolheu — desprezando as dez serviçais oferecidas pelo boticário — e permitiu que ele a mudasse para sempre.

... Continua...

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ARMADILHA DO TEMPO

Volume Um

O universo Shadow é um mergulho literário que vai além do inimaginável. Boa leitura!

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